Relatório revela que 58% dos brasileiros entre 40 e 50 anos pretende mudar de perfil profissional; candidato a vaga na Alego defende políticas públicas para fomentar tendência
Uma das mudanças estruturais que melhor expressam a transformação no mundo do trabalho nos dias atuais é a disseminação da transição profissional. Entre profissionais acima dos 40 anos, mudar de área profissional tem significado sobreviver em um cenário de extinção de ofícios, ou a oportunidade de recomeçar a partir de novas carreiras mais rentáveis.
No Brasil, esse apelo começa a se fazer sentir nos números. De acordo com o Relatório Workforce, elaborado pela Consultoria Korn Ferry em 2025, 58% dos brasileiros entre 40 e 50 anos pretendem se engajar em uma transição de carreira. O número é consideravelmente superior à média mundial, que é de 47%.
Outros levantamentos do Relatório Workforce sobre o mercado de trabalho sênior no Brasil revelam que a transição de carreira é, em boa medida, uma tendência já consolidada. De acordo com o estudo, 35% dos profissionais nessa faixa etária já fizeram a transição. Entre eles, há predominância de mulheres: 70% dos entrevistados.
Os números apresentados pela iniciativa Korn Ferry dialogam com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo números oficiais do último Censo (2022), a participação dos trabalhadores maiores de 40 anos no mercado de trabalho no Brasil aumentou de 38,6% para 45,1% na última década.
Aumento da longevidade, reformas na previdência e diminuição da taxa de natalidade são as condições estruturais determinantes para a opção, por parte dos maiores de 40 anos, de uma mudança adaptativa que não se resume à mera sobrevivência: revela-se aproveitamento de oportunidades.
É o que afirma o empresário Felipe Mabel. Aos 41 anos, ele representa, em grande medida, a maleabilidade da nova força de trabalho sênior. Fisioterapeuta e educador físico, o empreendedor também já foi cantor na noite e, atualmente, está à frente de uma indústria do ramo de alimentos em Aparecida de Goiânia.
“A transição profissional precisa, ela mesma, deixar de ser uma prática em transição”, comenta o empresário, candidato a deputado estadual pelo Podemos que tem na defesa e promoção do empreendedorismo sua principal bandeira. “O favorecimento da transição de carreira dos profissionais maduros precisa se transformar em política pública”, explica.
Nesse sentido, Mabel sugere uma série de medidas, entre elas a identificação de áreas de apagão de mão de obra. “O Poder Público pode oferecer um programa de formação gratuita de qualidade, com separação de vagas para esse público”, observa. “Podem ser estabelecidas parcerias com centros de ensino superior públicos para o lançamento de formações profissionais de certificação rápida”, propõe.
Na rotina da administração pública, Felipe Mabel defende uma série de práticas destinadas ao fomento de um sistema de vagas preferenciais. “No setor público, pode ser destinado um percentual mínimo em contratos terceirizados para empreendedores que comprovem estar em transição profissional. Além disso, podem ser iniciados programas de contratação de estagiários sênior, justamente para acolher pessoas que são recém-egressas de processos de mudança de carreira”, avalia.
Para o candidato, a sociedade deve estar preparada para dar respostas institucionais à mudança de perfil dos indivíduos que a compõem. “A ideia de que a vida começa aos 40 foi totalmente atualizada. O campo onde esse ditado já conhecido tem se expressado com maior força é justamente o mercado de trabalho. O que era uma mera tendência até tempos recentes precisa receber a atenção da coletividade e do Estado. As políticas multigeracionais não são mais apostas no futuro: são necessidades reais do presente mais palpável”, frisa.